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Calma, dá tempo: o isolameno social e o encontro entre as casas - escola e família

por Aparecida de Fátima Bosco Benevenuto

Em tempos de isolamento social, a relação com o outro está sendo por outros vieses. A tecnologia tornou nossa grande aliada de aproximação e, talvez, não mais uma ferramenta, mas um sujeito atuante em nossas vidas. Por meio dela, vamos nos aproximando, re(aproximando), conhecendo as pessoas.


Numa rotina diária, escola e estudante têm se encontrado. Assim sendo, cabe esse texto refletir sobre essa relação, dando ênfase ao cotidiano dos adolescentes.


De acordo com a Deliberação CEE 177/2020, em tempos de COVID 19, “ No Ensino Fundamental, no Ensino Médio e Na Educação Profissional, excepcionalmente, na atual situação emergencial, quaisquer componentes curriculares poderão ser trabalhados na modalidade semipresencial. As atividades semipresenciais deverão ser registradas e eventualmente comprovadas perante as autoridades competentes e farão parte do total das 800 (oitocentas) horas de atividades escolar obrigatória”.


Pensando nessa demanda, na relação escola/adolescente e no sujeito tecnologia, o atendimento educacional a distância tornou o único meio de comunicação entre ‘gestão/professor/aluno/família e, portanto, o questionamento:


Como adentrar a casa? Que “mais que a paisagem, é um estado de alma” (Bachelard). Como fazer parte da intimidade de cada família? Da organização de todos que ali habitam?


Qual a responsabilidade da escola de estar dentro de cada lar por algumas horas do dia? Lembrando que esta casa, metáfora de “acolhimento, porto seguro, dona de muitos segredos e histórias” será ‘invadida’, no bom sentido, por muitas outras pessoas, trazendo consigo também suas histórias, expectativas e, sobretudo, seus conhecimentos.


Uma nova casa, em isolamento, está sendo construída, principalmente, aquelas que habitam crianças e jovens e que levam para sua intimidade, não somente os “deveres escolares”, mas agora outras “vozes” que dialogam com toda a família. São muitos dentro de casa... o chefe do pai, da mãe, em trabalho home office, os professores e suas tantas disciplinas somadas às tantas outras disciplinas dos irmãos, os avós, outros parentes, o animal de estimação... quantas vozes estão neste lar!


E, em contrapartida, na casa do professor, outras vozes também adentraram. Muitos alunos e, olha, que se contarmos, somam muitos... fazem parte agora da convivência diária. Novas conexões estão sendo feitas!


Art.2o – As premissas para a reorganização dos calendários escolares:


Como organizar e respeitar a individualidade de cada casa e, ao mesmo tempo, valorizar essa aproximação nunca antes estabelecida?

A casa dos estudantes habita agora a imagem de - DUAS CASAS. É nesse entrelaçamento que penso o “atendimento educacional a distância”. Como organizar as imagens de CASA para que cada uma tenha seu papel respeitado/preservado: a casa física está lá (pais, filhos, avós, animais de estimação...) e a casa escola se une por meio da tecnologia. Como organizar a rotina desses dois espaços, tão carregados de memórias ?


Vivemos um momento de compreensão dos nossos papéis. Mesmo sempre estando nessa relação CASA/ESCOLA, falávamos da imagem da nossa casa, ou seja, da escola. Agora falamos da imagem de muitas casas – casas dos professores/casas dos alunos - E como podemos contribuir para o avanço do processo de aprendizagem, lembrando de que casa é um “estado de alma”?


Nesse diálogo, segundo o desenvolvimento humano, o adolescente também “para aliviar o estresse, passa seu tempo em ocupações passivas, como assistindo à televisão e ‘fazendo nada’ (Papalia e Freldman, p.536) e, ainda, acrescentaria, nos tempos de hoje, navegando na internet, falando com amigos virtuais, jogando...


Importante aqui, não deixar de lado a imagem do projeto de cada casa. A Escola da Fundação Antonio Antonieta Cintra Gordinho pensa a partir de um projeto de pesquisa e acredita no adolescente capaz e potente.


Mas, como cada um tem se organizado para enfrentar suas rotinas e para liberar o estresse?


Enfim, calma! Para adentrar a casa um do outro, manter viva a imagem da escola requer empatia e compreensão dessa nova relação que vem se estabelecendo devagarinho. Isso não significa afrouxar o processo de aprendizagem, deixar de lado nossas intencionalidades, nossos cronogramas, pelo contrário, é o momento para ajudar as famílias e adolescentes que, vivem sim em outro tempo cronológico, a manter uma rotina, talvez, não aquela desejada por nós... a da nossa casa... mas uma que dê conta do cumprimento das obrigações das DUAS CASAS.


Para Gilles Delleuze e Fellix Guatari (1995), caminhos possíveis para a preservação do diverso pode se dar a partir de uma:


relação com o outro, com os outros, com todos os outros, com a totalidade-mundo, eu me transformo permutando-me com este outro, permanecendo eu mesmo, sem negar-me, sem diluir-me e é preciso toda uma poética para conceber esses impossíveis (GLISSANT, 2005, P. 121).

Aparecida de Fátima Bosco Benevenuto.Diretora da escola da FAACG, Mestre em Literatura pela USP, Especialização em "O Papel do Coordenador" (Universidad Torcuato di Tella e Reggio Children), com módulo realizado em Reggio Emilia.